Mundo
Guerra na Ucrânia
Mykhailo Fedorov. Ex-ministro ucraniano pede eleições em tempo de guerra
O ex-ministro ucraniano da Defesa Mykhailo Fedorov apela a eleições em tempo de guerra, naquele que é amplamente considerado o maior desafio à Presidência de Volodymyr Zelensky desde a invasão russa, há quatro anos e meio.
O apelo de Fedorov, feito num vídeo publicado no YouTube, é a primeira exigência deste tipo por parte de uma figura política ucraniana de topo desde que a Rússia lançou a sua invasão em grande escala em 2022. A lei ucraniana proíbe a realização de eleições em tempo de guerra.
"A democracia não pode ser feita refém da Rússia", disse Fedorov. "Precisamos de encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia retomar o seu processo democrático completo, mesmo no meio de uma longa guerra".
Para Fedorov, a Ucrânia está a lutar “precisamente porque quer continuar a ser um Estado europeu livre”. O antigo ministro da Defesa reconheceu a complexidade de organizar uma eleição em tempo de guerra, citando em particular a dificuldade de garantir o direito de voto aos militares, aos eleitores das zonas próximas da linha da frente e aos milhões de refugiados ucranianos no estrangeiro — argumentos já apresentados por Volodymyr Zelensky para explicar a ausência de eleições presidenciais.
"Mas complexidade não significa impossibilidade. A Ucrânia já fez repetidamente o que o mundo considerava impossível. Podemos encontrar uma solução também neste caso", sublinhou Fedorov num vídeo que tem a duração de dez minutos.
Desde o início da guerra, em 2022, que a Ucrânia está sob lei marcial, o que significa que as eleições estão suspensas.
Embora Fedorov não tenha mencionado no seu discurso que concorreria a qualquer eleição, uma sondagem recente indicava que o ex-ministro venceria Zelensky com folga numa segunda volta, na qual os dois candidatos mais votados se enfrentam.
No entanto, frisou que que o país enfrentava uma "crise sistémica de governação" e tinha "medo da mudança", apontando a corrupção na Ucrânia como um dos fatores que prejudicavam o esforço de guerra.
"O velho sistema vive segundo as suas próprias regras com muita frequência. Protege-se a si próprio. Tem medo da mudança", realçou.Horas antes de Fedorov publicar o seu vídeo, Zelensky indicou formalmente Yevhenii Khmara para ministro da Defesa e reconduziu o chefe da diplomacia de Kiev, Andriy Sybiga, nomeações que têm ainda de ser validadas pelo Parlamento.
Sem referir nomes, Fedorov condenou a corrupção oficial, que, segundo ele, prejudicou o esforço de guerra da Ucrânia.
"As pessoas não podem viver indefinidamente num Estado onde não compreendem porque é que certas decisões são tomadas", sublinhou o antigo ministroO percurso de Fedorov
O ministro mais jovem da história da Ucrânia quando foi nomeado chefe da digitalização do país, aos 28 anos, Fedorov ocupou o cargo durante seis anos. Foi o último membro remanescente do primeiro gabinete de Zelensky em 2019.O seu papel à frente do Ministério da Transformação Digital fez dele um dos primeiros a adotar a guerra com drones, que revolucionou o combate na Ucrânia desde 2022.
No entanto, a sua projeção nacional cresceu consideravelmente após a sua nomeação para dirigir o vasto Ministério da Defesa em janeiro, prometendo imediatamente uma reformulação baseada em dados. Ao contrário dos seus antecessores, Fedorov apresentou publicamente uma estratégia para derrotar a Rússia através do desgaste e da superioridade tecnológica.
Fedorov criou um "Exército de TI da Ucrânia" voluntário para lançar ciberataques contra os russos nos primeiros dias após o presidente russo, Vladimir Putin, ter lançado uma invasão em grande escala da Ucrânia.
Mais tarde, liderou uma campanha de angariação de fundos bem-sucedida, chamada Exército de Drones, e incorporou elementos de "gamificação" (a aplicação de mecânicas, dinâmicas e elementos visuais de jogos — como pontos, níveis, rankings e recompensas — em atividades do mundo real) na guerra, criando um sistema que premiava as unidades militares ucranianas com créditos por atingirem alvos russos.
Enquanto ministro da Defesa, o seu foco nos drones, na guerra de alta tecnologia e nas aquisições continuou, e chegou mesmo a pedir ao fundador da SpaceX, Elon Musk, que impedisse a Rússia de utilizar satélites Starlink para ataques com drones.
A medida foi considerada responsável por causar uma perturbação considerável às operações e ao avanço da Rússia na linha da frente.
Fedorov, de 35 anos, foi um aliado de longa data de Zelensky até à sua inesperada demissão do Ministério da Defesa em julho, apenas seis meses após a sua nomeação, na qual prometeu amplas reformas.
Pouco depois da sua demissão, Fedorov, com os seus conhecimentos em tecnologia, criticou publicamente o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, expondo uma profunda divergência entre ambos e as suas diferentes visões sobre a guerra.
A sua demissão em meados de julho, ordenada pelo chefe de Estado, desencadeou uma onda de protestos na Ucrânia que se estendeu até agosto e levou Zelensky a substituir também o comandante do Exército, Oleksandr Syrsky, considerado rival de Fedorov.
O ex-ministro afirmou recentemente acreditar que a sua reforma nos processos de aquisição do Ministério da Defesa, responsável pela compra de milhares de milhões de dólares em equipamento, contribuiu para a sua demissão.
Milhares de ucranianos saíram à rua para exigir a demissão de Syrskyi — um comandante militar da velha guarda, culpado pelos seus críticos pelas pesadas perdas de tropas na linha da frente — e a reintegração de Fedorov.
Uma nova manifestação de apoio a Fedorov está planeada para a manhã desta quarta-feira em frente ao Parlamento ucraniano, segundo Sergiy Sternenko, seu antigo conselheiro no ministério e apoiante.
Embora Zelensky tenha afirmado que despediu Fedorov pela sua incapacidade de trabalhar com Syrskyi, o presidente demitiu o chefe militar pouco depois, sob pressão pública.
Numa publicação no Facebook, logo após a sua demissão, Fedorov enumerou as suas conquistas e disse que continuaria "... a derrotar o inimigo através da assimetria, da velocidade de inovação e da força organizacional".
Durante o seu mandato como ministro da Defesa, Fedorov, que gozava de grande popularidade, foi reconhecido por revitalizar o ministério, liderar uma campanha anticorrupção e utilizar dados para analisar e tentar melhorar o desempenho na linha da frente.
Fedorov recebeu outras propostas para cargos governamentais, incluindo o de vice-primeiro-ministro para a Inovação Militar, mas o político de 35 anos afirmou que só regressaria como ministro da Defesa.
"A democracia não pode ser feita refém da Rússia", disse Fedorov. "Precisamos de encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia retomar o seu processo democrático completo, mesmo no meio de uma longa guerra".
Para Fedorov, a Ucrânia está a lutar “precisamente porque quer continuar a ser um Estado europeu livre”. O antigo ministro da Defesa reconheceu a complexidade de organizar uma eleição em tempo de guerra, citando em particular a dificuldade de garantir o direito de voto aos militares, aos eleitores das zonas próximas da linha da frente e aos milhões de refugiados ucranianos no estrangeiro — argumentos já apresentados por Volodymyr Zelensky para explicar a ausência de eleições presidenciais.
"Mas complexidade não significa impossibilidade. A Ucrânia já fez repetidamente o que o mundo considerava impossível. Podemos encontrar uma solução também neste caso", sublinhou Fedorov num vídeo que tem a duração de dez minutos.
Desde o início da guerra, em 2022, que a Ucrânia está sob lei marcial, o que significa que as eleições estão suspensas.
Embora Fedorov não tenha mencionado no seu discurso que concorreria a qualquer eleição, uma sondagem recente indicava que o ex-ministro venceria Zelensky com folga numa segunda volta, na qual os dois candidatos mais votados se enfrentam.
No entanto, frisou que que o país enfrentava uma "crise sistémica de governação" e tinha "medo da mudança", apontando a corrupção na Ucrânia como um dos fatores que prejudicavam o esforço de guerra.
"O velho sistema vive segundo as suas próprias regras com muita frequência. Protege-se a si próprio. Tem medo da mudança", realçou.Horas antes de Fedorov publicar o seu vídeo, Zelensky indicou formalmente Yevhenii Khmara para ministro da Defesa e reconduziu o chefe da diplomacia de Kiev, Andriy Sybiga, nomeações que têm ainda de ser validadas pelo Parlamento.
Sem referir nomes, Fedorov condenou a corrupção oficial, que, segundo ele, prejudicou o esforço de guerra da Ucrânia.
"As pessoas não podem viver indefinidamente num Estado onde não compreendem porque é que certas decisões são tomadas", sublinhou o antigo ministroO percurso de Fedorov
O ministro mais jovem da história da Ucrânia quando foi nomeado chefe da digitalização do país, aos 28 anos, Fedorov ocupou o cargo durante seis anos. Foi o último membro remanescente do primeiro gabinete de Zelensky em 2019.O seu papel à frente do Ministério da Transformação Digital fez dele um dos primeiros a adotar a guerra com drones, que revolucionou o combate na Ucrânia desde 2022.
No entanto, a sua projeção nacional cresceu consideravelmente após a sua nomeação para dirigir o vasto Ministério da Defesa em janeiro, prometendo imediatamente uma reformulação baseada em dados. Ao contrário dos seus antecessores, Fedorov apresentou publicamente uma estratégia para derrotar a Rússia através do desgaste e da superioridade tecnológica.
Fedorov criou um "Exército de TI da Ucrânia" voluntário para lançar ciberataques contra os russos nos primeiros dias após o presidente russo, Vladimir Putin, ter lançado uma invasão em grande escala da Ucrânia.
Mais tarde, liderou uma campanha de angariação de fundos bem-sucedida, chamada Exército de Drones, e incorporou elementos de "gamificação" (a aplicação de mecânicas, dinâmicas e elementos visuais de jogos — como pontos, níveis, rankings e recompensas — em atividades do mundo real) na guerra, criando um sistema que premiava as unidades militares ucranianas com créditos por atingirem alvos russos.
Enquanto ministro da Defesa, o seu foco nos drones, na guerra de alta tecnologia e nas aquisições continuou, e chegou mesmo a pedir ao fundador da SpaceX, Elon Musk, que impedisse a Rússia de utilizar satélites Starlink para ataques com drones.
A medida foi considerada responsável por causar uma perturbação considerável às operações e ao avanço da Rússia na linha da frente.
Fedorov, de 35 anos, foi um aliado de longa data de Zelensky até à sua inesperada demissão do Ministério da Defesa em julho, apenas seis meses após a sua nomeação, na qual prometeu amplas reformas.
Pouco depois da sua demissão, Fedorov, com os seus conhecimentos em tecnologia, criticou publicamente o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, expondo uma profunda divergência entre ambos e as suas diferentes visões sobre a guerra.
A sua demissão em meados de julho, ordenada pelo chefe de Estado, desencadeou uma onda de protestos na Ucrânia que se estendeu até agosto e levou Zelensky a substituir também o comandante do Exército, Oleksandr Syrsky, considerado rival de Fedorov.
O ex-ministro afirmou recentemente acreditar que a sua reforma nos processos de aquisição do Ministério da Defesa, responsável pela compra de milhares de milhões de dólares em equipamento, contribuiu para a sua demissão.
Milhares de ucranianos saíram à rua para exigir a demissão de Syrskyi — um comandante militar da velha guarda, culpado pelos seus críticos pelas pesadas perdas de tropas na linha da frente — e a reintegração de Fedorov.
Uma nova manifestação de apoio a Fedorov está planeada para a manhã desta quarta-feira em frente ao Parlamento ucraniano, segundo Sergiy Sternenko, seu antigo conselheiro no ministério e apoiante.
Embora Zelensky tenha afirmado que despediu Fedorov pela sua incapacidade de trabalhar com Syrskyi, o presidente demitiu o chefe militar pouco depois, sob pressão pública.
Numa publicação no Facebook, logo após a sua demissão, Fedorov enumerou as suas conquistas e disse que continuaria "... a derrotar o inimigo através da assimetria, da velocidade de inovação e da força organizacional".
Durante o seu mandato como ministro da Defesa, Fedorov, que gozava de grande popularidade, foi reconhecido por revitalizar o ministério, liderar uma campanha anticorrupção e utilizar dados para analisar e tentar melhorar o desempenho na linha da frente.
Fedorov recebeu outras propostas para cargos governamentais, incluindo o de vice-primeiro-ministro para a Inovação Militar, mas o político de 35 anos afirmou que só regressaria como ministro da Defesa.